sexta-feira, 26 de março de 2010

Dia 17- arequipa a arica - 430km

Arequipa é uma cidade bem legal, já tem seus 480 anos de fundação espanhola e o centro histório é muito bonito, construido com pedra branca, muito porosa que eu não sei se é vulcânica ou não. Aliás, atrás da cidade, de grande parte dela avistam-se 3 montes muito altos, todos nevados, e um deles lembra muito a forma de um vulcão, ainda não pesquisei pra saber e nem perguntei pra ninguém.

Desde minha saída de cusco estou meio mal do estomago, passei a sentir mesmo em nasca, não sei se foi algo que comi, bebi ou se me desidratei no caminho terrível entre cusco e nasca. De fato, naquele dia, entre as 7 da manha e as 7 da noite tudo o que ingeri foram uns goles dágua e algumas folhas de coca. De lá pra cá tenho estado bem mal, não pára nada no estomago e eu já sinto as roupas afrouxando. estou tomando muito líquido, mas o que entra sai. Agora parti pra estratégia de comer sal. estou tomando um remédio pra isso mas está ajudando muito pouco.

De arequipa até arica o cenário não traz muitas surpresas, estou no meio do deserto, o mesmo que já rodei aprox 3000 km no total. Então é bem monótnono. Há sim umas subidas e descidas de serras, a chegada a moquegua e a Tacna são legais por trazerem um pouco de verde mas no geral o cenário já não me impressiona mais.

Uma coisa me chamou a atenção no peru, hehehe, aqui é mais fácil achar gasolina do que no chile, passa-se menos tempo sem ver um Griffo ( que é como eles chamam o posto de gasolina) do que no chile. Alguns aceitam cartão de crédito.

Chegando em tacna, se vc quiser tocar o que resta dos seus Soles (do peru eu não levo nem o dinheiro...hehehe) basta dar uma volta de moto em torno da plaza de armas, que por sinal é bem bonitinha, e vc vai ser abordado por homens de colete verde e calculadora na mão. Até que pagaram bem os poucos soles que eu tinha, deu 3400 pesos chilenos.

Falando em chile, estava feliz por chegar ao chile novamente. Primeiro a buracracia peruana para sair, não tão grande como para entrar, mas há. Vale dizer, peruanos não respeitam fila, se se não empurrar eles entram na sua frente. Nos guiches, eles não esperam atrás de ti, esperam ao seu lado, só faltam botar a cara pra dentro junto. Tome muito cuidado com seus documentos nessa hora. Saí do peru e finalmente chego na fronteira chilena, de cara o guarda me manda por a moto de lado, em local diverso dos demais. Eu paro onde ele mandou, pego meus papéis e começo a preencher tudo. Em 3 min vem um velho FDP e me manda tirar tudo da moto, tudo mesmo. Eu já tinha feito a declaração do que levava, perguintei se ele não poderia me inspecionar ali; dá um senhor trabalho tirar tudo da moto. Pois bem, o FDP me fez tirar tudo e atravessar a aduana toda com tudo nas costas sozinho, com uma senhora dor de barriga, pra passar tudo no raio-x. Me fizeram passar todas as malas, jaqueta, luvas e capacete. No fim me tiraram as poucas folhas de coca que eu trazia. Perguntaram se eu tinha e eu disse que sim, se disse não e eles achassem certamente seria pior. Depois me deram uma mijada por estar carregando combustível na moto, pois no chile segundo eles é proibido, e me mandaram passar. Feito isso aí é dar a entrada na imigração e fazer o registro do veículo, que eles chamam de importação temporária. Aqui outra merda. No peru, quando vc vai sair vc faz a tal declaração de passageiros, especificando o veículo e quem está nele. São 4 vias, que recebem 3 carimbos cada. Eles TÊM que deixar 2 contigo, e comigo só me deixaram UMA. Cornos, quando chego na imigração o cara diz que eu teria que ter 2 e queria que eu entrasse de novo no peru. Implorei e ele fez uma cópia pra mim.

Chegando em Arica parei no Hotel Lynch, indicação do nosso amigo Gedson Frasson, do M@D, barato e bom o suficiente pra passar uma noite. Neste dia eu estava muito mal do estomago. Pra dormir foi um parto.

terça-feira, 23 de março de 2010

Posiçao no mapa

Estou em San Pedro de Atacama, uma vila poeirenta no meio do nada. Mas sabe que to gostando.

No hostel que estou náo tem internet, entao apenas atualizei as fotos e digo onde estou, os posts do 17º dia e 18º dia eu farei assim que tiver internet à vontade.

De arequipa a arica foi tudo tranquilo, atè a passagem na fronteira, me fizeram tirar toda a bagagem da moto, carregar tudo sozinho no maior sol e passar tudo no raio x, atè jaqueta, luvas e capacete passaram, pode?? No fim me quitaram as folhas de coca que eu trazia e me deram uma mijada com M maiùsculo por trazer gaslina na moto, mas a gasolina deixaram passar. Fiquei 2 horas na aduana chilena. Burocracia do cao. Mas também, se eu recebece peruanos todo dia na minha casa faria o mesmo....heheheh Depois explico.

Hoje, para SPA náo tive problemas com gasolina, mas o calor de 37 graus no deserto quase me matou. Saiu sangue do nariz...heheh ainda bem que náo foi do ouvido.

Fotos destes 2 dias tambèm quando eu tiver tudo arrelgado.

Abraço

Fotos do 16º dia

Neste dia tambèm foi punk, contribuiu para a minha desitratraçao. A cabeça que o diga, està latejando.

Arequipa
Fiz toda esta costa aì pela beiradinha, uns 350km

Olha là onde passa a estrada, pergunta se tinha guard rail

Uma das marcas
O astronauta


Nasca, feia, mesmo onde era pra ser bonitinha
Rua do hotel

Fotos do 15º dia na estrada.

Como todos sabem este foi o dia mais punk, nao tirei muitas fotos. Apenas atè o momento em que o tempo permitiu. Cusco-Nasca è o trecho mais foda da viagem, acreditem, eststrada trava, lugares pra se rodar a 40 por hora no modo jàspion. Imaginem 650km assim. Neste dia eu fiquei numa tensao táo grande que náo lembrei nem de tomar água. Tudo o que ingeri depois do café da manha foram uns goles de água no início do trajeto e umas folhas de coca. Acontece que em me desidratei neste dia e até hojo estou sentindo os efeitos.

Vao as fotos aì. Dpois eu coloco ela dentro dos posts corretamente e em ordem.


Quando eu disse que era travada, olha aì a foto do GPS


Descida de 4000m para 1800 em abancay





Chegada em nasca


segunda-feira, 22 de março de 2010

Fotos do 14° dia

Estou publicando dia a dia porém fora de ordem, quando tiver tempo arrumo.











Um cusco cusquenho




Dia 16 - nazca a arequipa - 560km.

Primeiro de tudo queria dizer pro povo que estou lendo todos comentários. As fotos eu consegui por em dia agora a pouco, mas o site não está fazendo up direito. Os 2 ultimos dias pra mim foram bem cansativos, dois trechos grandes e tensos pra se rodar.

vamos lá

Ontem quando cheguei no hotel me informei e disseram que tinham pacotes pro vôo sobre as linhas. Blz, pedi pra reservarem pra mim no primeiro horário, pra que eu pudesse ir e ainda sair a tempo de chegar cedo em Arequipa. Lá pelas 9 da noite a tia vem me avisar que não deu, mas que faria hoje cedo as 7 horas, pra eu voar no máximo as 9. Chega 7 horas e nada, fica de confirmar 8:15. Chega 8:15 e nada, fica de confirmar as 9. E eu no quarto passando calor naquela merda que tava sem energia. Deu nove e não tinha resposta, peguei minhas coisas e me mandei.

A saída de nazca passa pela frente do aeroporto, resolvi parar para perguntar, entrei no aeroporto, num calor dos infernos, todo paramentado de motoqueiro e me disseram que os vôos estavam voltando a acontecer hoje. Explico: a cerca de um mês caiu um aviãozinho destes aqui e morreram uns turistas. As empresas fizeram tipo uma greve e apenas uma e outra estavam voando. O governo local estabeleceu uma norma que agora os voos tem que ter 2 pilotos, até então era só um. Acontece que com isso o preço dos vôos passou de 50 para 80 doletas. Bom, mas tô em nazca, não sei quando vou ou se vou voltar, resolvi pagar. Tranquei minhas coisas na moto e deixei a mala de tanque cadeada na agencia, Decidi voar com a calça de cordura e as botas. Blz, no vôo vão 2 americanos, 2 espanhóis e eu, além dos 2 pilotos.

na hora de partir o motor falhou duas vezes e o espanhol que tava no meu lado já tava olhando pros lados e pedindo pro piloto não tentar mais que ele queria descer, quando ele falou isso o motor pegou e o piloto saiu em disparada....hahauahauahauahauah

Vocês precisavam ver a cara do cara fazendo o sinal da cruz, e eu rindo. Quando o avião então na cabeceira da pista o cara tava segurando uma medalinha de um santo. hahahahah Hilário, o piloto meteu o pau no avião e aquela tranqueira saiu do chão, só que hoje no deserto tava ventando muito, então quando o cara saía de cima de uma parte plana e sobrevoava algum morro, o vento dava uns chacoalhões no avião, deste moto, na primeira curva pra ir em direção às marcas, com o avião de lado ele deu uma estolatinha e o espanhol agarrou no meu braço a bichona!! o cara só olhava pra frente. hahahaha Pagou 80 dóllares e não viu marca alguma.

Para a gente ver as figuras o cara vinha e fazia um 8 no ar com o avião totalmente de lado, de modo que os 2 lados pudessem ver. A gente ficava hora de cara pro chão e hora de cara pro céu. Não vou dizer que não gelei umas horas mas comparado com o espanhol eu tava um monge budista. Depois de uns 10 minutos o cara tava suando que nem um porco do meu lado, branco como cal e não respirava, me cutucou e aopontou pro guia das figura que tinhamos recebido pergunanto em qual estávamos, eu apontei a quinta, eram umas 12, o cara se desesperou, ficava chacoalhando as mãos no ar e e a cada estoladinha se agarrava no banco do americano. Nas últimas figuras o cara fez uma piruetas mais nervosas e não teve jeito, o espanhol botou o desayuno pra fora, nos meus pés. Grande decisão a minha de ir de botas, se tivesse de havaianas tinhas jogado o cara do avião. Eu mesmo peguei um saquinho e dei pro cara falando, use isso!!!!!! mas o cara não conseguia nem segurar o saquinho. uahuhauhauhauhauh

O avião desceu e o cara tinha deixado as marcas das mãos nos plasticos do avião. Todos saíram e ficaram ali uns minutos falando com os pilotos e o cara saiu em disparada com cara de múmia e foi pro estacionamento, eu falei pro espanhol, seu amigo não está muito bem(ahahaha na real ela já tinha morrido e rescussitado), o cara respondeu, é ele não gosta de voar. hehehe Imagino se tivesse medo então. ahahahahaha

Enfim, 12 horas saí de nazca, tarde. Os primeiros 80 km são um retão só, e eu faceiro que a viagem estava rendendo. Mas o vento lateral estava matando. Andei o tempo todo de lado. A estrada começa a descer em direção ao mar e o vento aumentando. Muita areia voando em cima da pista, e eu tocando o terror a temerosos 110km/h. Aos 120 km parei pra abastecer em yauca, saindo dali a pista vai pro lado pra praia, a uns 500m do mar, e é no meio de umas dunas. ali foi feio. Foram uns 20 a 25 km com vento fortíssimo. Muitos montes de areia em cima da pista, em vários pontos tinha menos de meia pista, e em 2 pontos tinham máquinas retirando areia pra deixar os carros passarem. A nuvem de areia tinha uns 2 metros de altura em uns trechos de modo que me tapava, entrou muita areia no capacete e nos olhos, mas ficar parado ali esperando o ventinho passar não dava. finalmente saí dali. Daí pra frente a estrada vai até 160km do fim da viagem costeando o mar em 90% do tempo. O vento estava forte, mas pelo menos não tinha areia. Quando comecei a subir a serra pra Arequipa escureceu faltando uns 80km. Foi tranquilo, vim no meio de uns carros pra aproveitar a iluminação nos pontos em que a sinalização estava mais falha. Aqui vai a dica, se quiser seguir alguem siga um carro pequeno e de preferencia sem filme nos vidros, pra que vc possa ver o que está lá na frente.

Daí pra arequipa são alguns retoes e uma serrinha de 20km no final. Os peruanos são loucos no transito, vi cada barbaridade que é de ficar de cara.

Arequipa é até agora a cidade peruana mais bonita que vi. Amanha saio cedo do hotel e tiro umas fotos de dia. Por agora só tenho estas da praça de armas, tiradas com celular.

Abraço

Detalhamento do dia 15 - de cusco a nazca - 650km

Aqui vai o detalhamento que fiquei devendo ontem. As fotos estão todas prontas e reduzidas já, mas o bloggler tá me pregando uma peça hoje.

Vamos lá:

Saí de cusco as 6 e meia da manhã, mas entre trânsito e abastecimento entrei na estrada eram 7 da manhã. Na saída estava 10 graus em cusco. Céu limpo, poucas nuvens. Tudo para ser uma viagem pra lá de tranquila.

Aos 15 km já encontro uma obstrução na pista feita por uns manifestantes, segui um taxista e me embrenhei num barrão mas acabei passando. Depois de uns 40 km começam a aparecer pequenas obras de reparo e alguns trechos em meia pista. Tudo causado pelas chuvas de janeiro. Alguns trechos estavam bem feios mesmo, se alguém tá pensando em fazer este trecho e não tem um uma moto que tope um off road é melhor adiar uns bons meses ou pensar num outro trajeto. Aos 120 km a pista estava interrompida por máquinas, neste momento não teve jeito mesmo, tive que ficar mais de 40 minutos esperando liberarem a pista. Um calor do cão e não dava pra tirar os equipamentos porque os mosquitos estavam fazendo a festa. Liberaram a pista e lá vou eu rodar atrás de uns caminhões de cal, no maior poeirão. Legal pra caramba.

A estrada é num lugar fantástico. Saindo de cusco já começa uma descida e a estrada vai dos 3800 aos 1800 metros. Depois começa a subir de novo, e passando deste trecho de obra já estamos outra vez aos 4000m. Se voces querem saber oq ue é um desnível de 2000m olhem essa foto. Tirei ela aos 4100m e depois de 30km estava lá no meio desta cidade, Abancay, vista daí de cima é muito bonitinha né, encravada entre as montanhas, mas disputa o premio de cidade mais feia junto com juliaca. Páreo duro.

Abancay está a 180km de cusco, depois de mais 300, ou seja, aos 480km de cusco, fica Puquio. Depois de Abancay a estrada começa a seguir um rio que eu não sei qual é, mas bem caudaloso e violento. A estrada segue este rio desde os 1800m até os 3500. Neste trecho chama a atenção a quantidade de trechos em que eles fazem um rebaixo na pista para deixar algum curso d´água apssar sobre ela, são muitos mesmo. Teve um deles que me surpreendeu bem depois de uma saída de curva, que eu vinha a uns 60 por hora e caio no meio de um "rio" no asfalto, neste em especial estava cheio de pedras e terra que o rio trouxe do barranco. Quase passei reto, consegui parar no acostamento da outra pista.

Depois a estrada separa-se do rio e continua subindo. Faltando cerca de 80km pra chegar em Puquio, a estrada dá uma subida mais violenta e vai até os 4300m. Quando estava no final dessa subida começo a perceber o tempo virando, à minha esquerda estava tudo escuro, preto mesmo, o céu chegava a ter uns tons de verde, e muita chuva praquele lado, eu estava achando que estava com sorte, pois estava passando ao largo da chuva. Quando termino de subir, olho no retrovisor e vejo que pra trás de mim também está preto. A estrada dá uma virada pra esquerda e começa a ir em direção a aquele céu verde, ao mesmo tempo que do lado direito também começa a fechar, muito rápido. De repente eu começo a sentir umas "gotinhas", só que estavam fazendo muito barulho. Olho pra baixo e vejo gelo sobre a mala de tanque. Parei na hora pra virar o LDC do GPS pra baixo e toco o barco, estava fraquinha. Até que desceu toró de granizo de uns 2 min. As mãos doíam mesmo de luva. Até as lhamas que estavam na beira da pista tavam correndo que nem loucas. Do nada passou esta primeira pancada e o tempo secou pra mim, eu vi que estava indo pro meio da tempestade e decido parar e colocar a capa de chuva pelo menos sobre a jaqueta e também cobrir a mala de tanque.

Até aí tudo certo, continuo andando pro olho do furação. Eu não tinha escolha, nessa altura faltavam 55km pra puquio ou voltar os 250 pra abancay. Pra trás estava fechado igual, então sem chance, o negócio era tocar o barco. De repente eu percebo um clarão do meu lado esquerdo, não vi o relampago mas fiquei ligado, alguns segundos depois vejo um senhor raio descendo alguns kms a frente bem na direção que eu estava indo. E começaram a vir um depois do outro, de todos os lados, mas muitos mesmo lá na minha frente, e o céu se fechando sobre mim. Nesta altura do campeonato eu estava a 4300m, num platô descampado de vários kms e a estrada fica elevada em relaçao a maior parte do campo. Ou seja, eu era o objeto mais alto no lugar mais alto que poderia estar, e raios caindo por todos os lados. Não entrei em pânico porque não adiantava. Mas estava com medo de verdade. Pensei que dessa não passava, era questão de tempo pra tomar um na cabeça, ou próximo o suficiente pra me derrubar. Sabem aquela história que contam do filminho que a gente vê, eu vi, pensei que não voltaria pra casa. Fiz a única coisa que dava pra fazer, parei a moto, pulei fora e saí correndo pra longe dela e me joquei no chão. Pensei, vou esperar este caos passar e vou até a próxima cidade. Mas aí onde eu estava o tempo não mudava, eram raios pra todos lados e mas não caía a chuva, estava seco ainda. Pensei, vou esperar passar um caminhão, mais alto que eu, então pego a moto e vou grudado no cara até puquio, se cair cai no caminhão. Mas quem disse que vinha algum caminhão. E eu lá de bruços olhando pros lados pra ver se vinha algo. Apareceu uma nissan frontier no retão. Eu corri pra perto da moto e fiquei esperando. Quando o cara passou eu fiz sinal pra ele diminuir e pulei em cima da moto e grudei no cara, ele entendeu. Em 2 min entramos no temporal, e raio pra todo lado. Aos 30km de puquio a coisa ficou feia, era granizo, chuva e raio. E eu tomando o spray dos penus na cara, mas vinha todo encolhido atrás da camioneta. Andamos mais uns 10km nessa situação, a uns 40km/h, até que a pista começa a descer e deixamos de ser a referência. Mas nesta altura do campeonato eu nem respirava mais. A temperatura era de 5 graus eu nem sentia o frio. De repente a chuva passa e quando vejo estou puquio. Vivo e tremendo ainda. Parei pra abastecer e fiquei uns 10 min parado lá até as pernas firmarem de novo.

No céu em puquio tinha um lado, leste, que estava azul. Perguntei pro frentista, é pra lá que fica nasca?? Ele confirmou. Antes de sair olhei no GPS pra ver se era pra lá mesmo. Eram tres e meia da tarde, faltavam apenas 170km, não durmiria ali. Segui viagem. A chuva havia parado, Agora era apenas neblina e mais subida. Puquio fica a 3000m, subi de novo aos 4100, mas sem o temporal e sem raios, estava feliz da vida. eu estava encharcado, comecei a sentir frio. A estrada começa a serpentear e não para nunca mais, até o topo, quando então chega-se à reserva natural Pampa Galera. É um pampa a 4100 metros. Lindo demais. Lá em cima, uns 15 km de retas e então começa a descer pro deserto de nasca. Ao terminar o pampa faltam 55km pra nasca, tudo em descida, curva atrás de curva, até chegar em nasca, a 600m acima do mar. Aqui eu respiro melhor, a moto respira melhor e ainda por cima é mais quentinho e seco. Não pensei que fosse ficar feliz ao ver o deserto de novo. Fiquei.

Nasca é bem desorganizada como qualquer cidade que tenho visto. No centro, a praça de armas é legal, e há uma ruazinha mais ajeitada que serve pra turistaiada ficar comprando lembrança. O transito louco como sempre.

Falando do transito peruano. Aprendi umas coisas. Uma delas é que nunca viajarei de unibus no peru, eu vi o que estes caras fazem na estrada. A segunda é que acho que todo mundo que tem carro aqui vira taxista. Tem muito taxi. A maioria daewo tico e uma perua toyota que eu não sei o nome (que eles compram usados do Japão). Eles andam com uma mão na buzina. O método de oferecer o serviço é buzinar pra toda e qualquer pessoa que eles vêm na calçada. Então imaginem dezenas de taxis andando entre centenas de pessoas. É uma buzinação sem tamanho. Sem contar aqueles que no lugar da buzina poem uma sirene tipo aquelas de advertência da polícia. É irritante demais. Além do mais são muito, mas muito mal educados no transito. Leis, regras e sinalização não valem de nada, eles só obedecem duas coisas, a buzina mais alta e o guarda de apito na mão.

Amanha bem cedo que ver as tais linhas de nasca e depois me mando pra Arequipa, minha ultima parada no peru antes de retornar ao Chile.

sábado, 20 de março de 2010

Dia 15 - Cusco - Nasca - 650km

To num hotel que nao tem internt, nao tem teto, nao tem nada.

Consegui chegar a nasca, que alias é um caos como qualquer cidade peruana. Depois falo mais da cidade.

Estes 650 km foram de curvas, subidas e descidas, só. Até abancay muitas obras, fiquei mais de uma hora parado em obras. De abancay pra frente foram uns 150 km de diversao, até que o tempo fechou dos dois lados, pra frente e pra tras. A mais de 4000m peguei uma puta chuv ade granizo e quando eu estava na parte mais alta do trecho comecaram a cair raios, muitos. Era a parte alta de um planalto, sem nada além de pedras. Eu era o objeto mais alto no lugar mais alto. Fiquei com medo de verdade, a ponto de encostar a moto correr pra longe e ficar uns 5min deitado de brucos no chao. Quando vi uma caminhoneta vindo corri, peguei a moto e segui eles por 30 km encostadinho atras e bem abaixado. Se caisse um eu só tomava o choque. Pensei que fosse morrer.

Depois de chegar em puquio, só frio o chuva fina. Em nasca está quente, 25 graus. Comparado com os 5 que peguei lá atras está ótimo.

Amanha cedo pretendo voar sobre as linhas e assim que chegar no hotel me mando pra arequipa, que dizem ser bem bonita. Mas nao dá pra confiar no senso de beleza dos peruanos. Areditem, vivemos no paraíso.

um grande abraco, depois postarei detalhes da viagem sórdida e algumas fotos.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Vergonheiras

Além do episódio do hipoglós, cheguei ontem no hotel em cusco e, arrumadas as coisas fui tomar banho.

Virei a torneira escrito H e fiquei esperando esquentar. Passou um tempao e nada, aí virei a outra - C - rapidinho, nem dei tempo direito e como nao saiu nada quente já chamei o cara pra ver o que tinha de errado. O cara foi lá, virou a torneira com C deu uns 30 segundos e saiu água quente.

Eu resmunguei, olha tà invertido, Hot e Cold. E ele responde: "no, caliente e helada".

Foda

Dia 14 - Cusco - 0km

Tirei o dia pra passear em Cusco hoje. Acordei as 6, tomei um cafezão e às 7 já estava na rua. Minha idéia era percorrer as ruas e as igrejas da cidade o que desse até lá pelas 10 da manhã e depois voltar no hotel e pegar a moto pra ir até o vale sagrado.

Andar pelas ladeiras de cusco é lega, os cenários que o cara vê são legais demais, só que pra quem mora ao nível do mar como eu ficar aqui subindo ladeira a 3500m acima do nivel do mar é uma experiência doida. Fui ultrapassado por velinhas e crianças várias vezes. Várias vezes tive que parar pra tomar ar. Não passei mal nem nada, mas falta pulmão.

Ontem a noite eu retirei toda a bagagem da moto, até mesmo pra poder dar uma olhada melhor no estado dela, inspecionar, ver se tem algo em ponto de quebra, afinal, me prevenir contra qualquer surpresa. Hoje pela manha saí com ela sem bagagem. Que maravilha, parece uma bicicleta de tão fácil que fica de manobrar e desviar da buraqueira que estão as ruas asfaltadas de cusco, sim, porque as de pedra estão inteiras.

Apontei o GPS pra Pisac, a porta de entrada do vale sagrado. A saída de cusco pra lá já impressiona pela vista, primeiramente tem-se uma visão da cidade de cusco vista de cima, muito legal. Depois aos poucos a cidade some e o verde toma conta. Montanhas e vales coloridos e salpicados de lavouras de milho, trigo, batata doce, flores. Muito legal. Minha idéia era entrar em Pisac e ir até Ollantaytambo, que é a ultima cidade onde a estrada chega antes de machu pichu, depois vai-se de trem até Aguas calientes e então sobe pra machu pichu. Bom, vim sabendo que machupichu estaria fechada, então não houve frustração nesse sentido. O vale sagrado já dá um belo passeio, pena que não fiz...hehehe

Ao terminar de descer uma senhora ladeira chego em pisac e dou de cara com a ponte que atravessa o rio urubamba em obras por conta das chuvas. Falando em chuvas, os aprox 30 km entre cusco e pisac estão com vários trechos emmeia pista, barreias caídas e pedras monumentais sobre a pista. o estrago foi feio mesmo. Tem trechos em que a terra que cobriu a pista foi tanta que ainda não deram conta de tirar tudo, mais de 2 meses depois. Mas chegeui lá. Como não dava pra passarme informei e disseram que sim, estavam fazendo visitas ao vale sagrado, por uma estrada de terra de uns 17 km até chegar a Lacay, onde aí se atravessaria para ir a calca e ollantaytambo. Entrei nessa estrada, terrível, buraqueira do cão e muito barro, pois havia chovido a noite. Na vinda o tempo já estava virando, nas montanhas em direção ao vale sagrado já dava pra ver que começava a chover. O tempo aqui vira muito rápido. Decidi voltar, nesta altura do campeonato, com tudo o que já vi e conheci não vou arriscar a viagem por alguns pontos turísticos. Além disso eu não estava afim de voltar imundo pro hotel e ter que perder o resto do dia lavando e secando roupa em cusco. Voltei, tirei mais umas fotos. Há também outras ruinas para se ver aqui por perto, algumas consegui avistar da estrada mesmo. O pepino é que aqui eles cobram 130 soles para ver todos os monumentos, validos por 10 dias, ou 70 soles para um dia. Eu não iria torrar 25 dólares pra ver uma ruína, sendo que já sei que se quiser ver machu pichu, terei que voltar, posso fazer tudo nesta próxima vez, que não sei quando será.


Aproveitei e troquei o óleo da moto, pela segunda vez na viagem. No hotel dei uma limpada de primeira na corrente, que até agora, não precisou ser esticada, está ótima. Aliás, a falcon me surpreendeu, eu sabia que a moto perderia rendimento e tal. Mas a 4600m de altitudo consegui manter 110km/h com ela. É claro que ela demora pra chegar, mas mantém. Não pra pra andar a 80, porque aí sim ela perde força e tem que andar em quarta marcha. Ela detona muito em reduzidas e engasga se acelerar de vez, mas no geral tá indo muito bem. Tudo que fiz foi tirar o snorkel do filtro de ar, nada mais. O que tá pegando é o consumo, eu não to fazendo conta pq aqui vende em galões e prefiro gastar meu tempo com outras coisas, mas acredito que acima dos 3000m ela tá fazendo perto de 15km/l. Pra este tipo de aventura tem que ser com injeção eletronica, não tem jeito.

Aproveitei que também tinha visto boa parte da cidade de manha e dei um cochilo a tarde, eu tava precisando e merecendo. Agora a noite é o de praxe, sair pra jantar, tomar uma e voltar pra dormir.

Amanha é Nazca. Já me informei com bastante gente e me disseram que a estrada está em condições de ir. Até um brasileiro que achei aqui me disse que veio de lá de onibus tem uns dois dias. O que sei é que a estrada é muito sinuosa e com muitas subidas e descidas de serras, então amanha no máximo as 6 da manha eu to na estrada, afinal são 650km. A idéia lá é sobrevoar as linhas de nazca e então sigo pra Arequipa, depois Arica, San pedro de atacama, salta, já na argentina, e por aí vai, até chegar em casa. Estimo minha chegada em casa lá pelo dia 30/31 de março.

No mais é isso, depois tem fotos.

quinta-feira, 18 de março de 2010

Dia 13 - De Puno a Cusco - 370km

Pois é, cheguei ao destino máximo da viagem. Daqui pra frente é caminho de volta. Até o momento rodei aproximadamente 6500km. É chão.

Hoje tirei pouca foto da estrada, o cenário repitiu muito do visto ontem, com exceção à chegada em Cusco, que muda muito.

A saida de Puno é legal, vai-se andando ao lado do titicaca por um tempo, nuns subidões, depois desce e continua por um tempo na margem. Uma coisa que me surpreendeu no Perú é a quantidade de vilas e cidades pequenas uma logo depois da outra. De puno a cusco vc não fica muito tempo sem ver alguma povoação. O único trecho vazio são uns 100km logo depois de Juliaca, que aliás está entre as cidades mais feias e caíticas que já vi. Depois de Juliaca tambem tem uns 50 km que o asfalto está péssimo. Sendo arrumado em vários trechos, mas péssimo. A chegada em cusco também tem asfalto ruim. Metade do caminho é o típico altiplano, depois de passar por Santa Rosa, no ponto máximo a uns 4300 metros, começa uma descida que vai de leve te levando pra um vale muito verde, o rio que corre junto ao vale eu não sei qual é. Mas o cenário é muito bonito, vai assim desde 150km antes de chegar a cusco até a chegada. Neste trecho teve uma hora que choveu por uns 30 km, uma chivinha gelada que derrubou a temperatura em questão de segundos de 20 graus pra 10.

Ainda no altiplano ultrapassei uma moto, uma honda Deauville com um casal. Placa da inlgaterra. Depois parei pra abastecer e eles me passaram. Quando havia recém passado por santa rosa tem uma parada na beira da estrada bem de frente a um monte nevado com muita venda de artesanato. Eles estavam lá comendo um pastel ou sei lá oq e eu parei pra conversar. Eram Sul Africanos. Pior é que esqueci o nome de ambos. Ficamos uma meia hora conversando, tiramos uma foto e seguimos, sempre um no retrovisor do outro. Depois me distanciei e acho que cheguei em cusco uma meia hora antes. Achei meu hotel e saí de chinelão mesmo pra praça de armas pra ver se eles apareciam pra indicar o hotel, já que eles haviam me perguntado. Pior é que consegui encontrar os 2. No fim eles foram pra Pizac. Talvez sigamos pra nazca no mesmo dia, é capaz de ainda nos cruzarmos mais vezes. Os 2 estão indo morar na colombia. Então na argentina os 2 compraram a moto de um ingles que havia descido com ela do alaska até ushuaia, para ir embora a partir de buenos aires o ingles estava vendendo a moto, e os 2 compraram e sairam viajar pela américa latina. Estão a 4 meses rodando. Terminarão a viagem em 2 semanas na colombia. E tinha gente me chamando de luco e coisa e tal. Esses aí viraram meus heróis.

Chegando em cusco a entrada na cidade é muito feia, asfalto todo quebrado e muita lama de obras, eu cheguei imundo no hotel, não sei nem como me deixaram entrar. Quanda chega-se no centro histórico a cidade impressiona. Linda. Vale a pena uma visita com calma. A praça de armas com suas 2 igrejas espanholas e rodeada de restaurantes nos quais vc pode subir no segundo antar e ficar numa varantinha vendo o movimento e tomando uma é demais. Ainda dei sorte te estar havendo um evento religioso na cidade no dia e a praça estava cheia e com umas cerimonias incas e católicas acontecendo ao mesmo tempo à saúde te um tal don bosco, que parece que fez muita coisa por aqui.

Amanha pela manha irei apé pra conhecer o que der na cidade, a tarde pego a moto e vou pro vale sagrado dar uma volta, nenhum compromisso oficial. Sábado começa o retorno. Ainda não sei se vou a Nazca ou pulo direto pra arequipa. Vamos ver.

abraços